ouvi chamar coragem
à cobardia.
Que ironia…
A vil cobardia
é medo,
é fraqueza,
pois, apenas, atinge
os que não têm defesa,
a quem o sofrimento inflige!
É cobarde, é traidor
o que atinge o desprotegido,
a quem causa tanta dor,
fazendo deste
o alvo preferido.
O rico está isento
do tormento…
Na guerra, o rico foge;
Fica o pobre,
e, só este sofre…
É o pobre que de escudo serve
para proteger o rico a quem serve…
E, até nas intempéries,
Deus meu,
nas catástrofes naturais
são os pobres que sofrem mais…
É tal a injustiça
que até brada aos céus,
causando tantos escarcéus,
que por vezes chego a crer
que estou a enlouquecer…
Quando ouço chamar
coragem à cobardia
é tanta a ousadia
que já nem sei
se louca serei,
perante tanta cobardia
que só por ironia
será coragem
algum dia!...
Zélia Chamusca
A coragem e a cobardia serão a dupla face de uma moeda. Para os cobardes fugir é natural, para os corajosos ir em frente é o caminho. Mas, amiga, essa escolha não é feita em consciência, é intrinseca à pégada educacional, aos genes que cada um transporta e, curiosamente (e sei do que estou a falar) do momento e do desafio que cada um de nós enfrenta em cada situação. Há muitos heróis corajosos que foram ireesponsávelmente em frente ( e tiveram sorte) e há muitos mais cobardes que ficaram na rectaguarda a bramar vai-te a ele, sem medos... Eu sei qual é a sua face da moeda e admiro a sua exposição pelas convicções que tem vindo a defender. Chapeau....
ResponderEliminarAdriano,
EliminarVocê é um espetáculo! Continuo a vê-lo com 20 anos, ou seja, na mesma linha de pensamento, não obstante, e, positivamente mais aperfeiçoado, mais perfeito. E,por isso mais o admiro porque continua no seu verdadeiro percurso nesta vida - a evolução da alma.
É como diz e não posso contrapor seus pensamentos porque neles me identifico na generaidade. Contudo, o que nestes meus versos livres expreso é, apenas, ironia porque o que vejo, isso sim, é a realidade, a pura cobardia, e, lamentavelmente, muitos mais ias,rsrsrs.
Fico feliz com sua visita, grata e beijinho,
ZCH
Depois destes dois comentários, pode ser ousadia minha ou «coragem » balofa emitir uma observação. As palavras nem sempre traduzem as realidades e há actos de coragem que são loucura e insensatez e outros considerados cobardia que são reflexo de sensatez, serenidade, maturidade.
ResponderEliminarO jovem rei D. Fernando era «corajoso» a tal ponto que o cardeal que lhe servia de mestre lhe chamava a atenção para a conveniência de ser mais contido nas suas acções demasiado exuberantes. O rei perguntou Mas o que é o medo de que cor é? Ao que o mestre respondeu o medo é da cor da prudência.
Muita gente corre atrás de «ídolos passageiros» para alimentar a exibição a vaidade, a ostentação, multiplicam as aparições em público e as palavras abundantes e sem conteúdo, numa aparente coragem falaciosa.
Felicito a Amiga Zélia por nos trazer tópicos de meditação que desejo sejam bem aproveitados pelos leitores.
Cumprimentos
João
Olá, Ilustre Amigo, A. João Soares,
EliminarÉ como diz, e por isso o título do poema é - Coragem? Ou cobardia?
Tudo depende do conceito das palavras, das ideias, dos pensamentos, da sensibilidade, da formação, isto é, da relatividade das coisas.
Tudo é relativo. Porém existem valores eternos e universais que são inconfundíveis, não discutíveis.
Sei perfeitamente, que consegui transmitir o meu pensamento e também aceito que outros pensem de maneira oposta. Mas, repito, há valores indiscutíveis porque naturalmente universais e inerentes ao ser humano. Salvo, naqueles que não querem pensar a não ser agir, na vida e em relação ao seu semelhante, de forma pragmática, cruel e hedonista.
É sempre uma honra para mim seu comentário.
Grata,
ZCH
Acredito que a poetisa, em seus versos, apenas quis dizer o quanto pesa a diferença social. Pois diante das melhores oportunidades é lógico que sempre cabem aos que mais possuem! Infelizmente essa é a nossa realidade.
ResponderEliminarMais uma excelente composição Zélia.
Bjsss
Monica,
EliminarA forma como o nosso Governo atua é puro ato de cobardia, porque, apenas, atinge os indefesos. São estes que estão a ser espoliados para pagarem a crise que eles, os que têm governado este País, nos últimos 20 anos, causaram.
Ouvi dizer que a forma como se governa é um ato de coragem. Não, não é! A isto chama-se cobardia!!!!
Já disse tudo, aqui, mais só em poesia, ou antes, em verso livre.
Grata, Minha Querida Mónica, por sua sempre tão agradável presença, e, beijinho,
ZCH