quinta-feira, 4 de julho de 2013

Coragem? Ou cobardia?









Um outro dia

ouvi chamar coragem

à cobardia.

Que ironia…


A vil cobardia

é medo,

é fraqueza,

pois, apenas, atinge

os que não têm defesa,

a quem o sofrimento inflige!


É cobarde, é traidor

o que atinge o desprotegido,

a quem causa tanta dor,

fazendo deste

o alvo preferido.


O rico está isento

do tormento…

Na guerra, o rico foge;

Fica o pobre,

e, só este sofre…

É o pobre que de escudo serve

para proteger o rico a quem serve…


E, até nas intempéries,

Deus meu,

nas catástrofes naturais

são os pobres que sofrem mais…


É tal a injustiça

que até brada aos céus,

causando tantos escarcéus,

que por vezes chego a crer

que estou a enlouquecer…


Quando ouço chamar

coragem à cobardia

é tanta a ousadia

que já nem sei

se louca serei,

perante tanta cobardia

que só por ironia

será coragem

algum dia!...
     «»

                          Zélia Chamusca
 





 

6 comentários:

  1. A coragem e a cobardia serão a dupla face de uma moeda. Para os cobardes fugir é natural, para os corajosos ir em frente é o caminho. Mas, amiga, essa escolha não é feita em consciência, é intrinseca à pégada educacional, aos genes que cada um transporta e, curiosamente (e sei do que estou a falar) do momento e do desafio que cada um de nós enfrenta em cada situação. Há muitos heróis corajosos que foram ireesponsávelmente em frente ( e tiveram sorte) e há muitos mais cobardes que ficaram na rectaguarda a bramar vai-te a ele, sem medos... Eu sei qual é a sua face da moeda e admiro a sua exposição pelas convicções que tem vindo a defender. Chapeau....

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    1. Adriano,
      Você é um espetáculo! Continuo a vê-lo com 20 anos, ou seja, na mesma linha de pensamento, não obstante, e, positivamente mais aperfeiçoado, mais perfeito. E,por isso mais o admiro porque continua no seu verdadeiro percurso nesta vida - a evolução da alma.

      É como diz e não posso contrapor seus pensamentos porque neles me identifico na generaidade. Contudo, o que nestes meus versos livres expreso é, apenas, ironia porque o que vejo, isso sim, é a realidade, a pura cobardia, e, lamentavelmente, muitos mais ias,rsrsrs.

      Fico feliz com sua visita, grata e beijinho,
      ZCH

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  2. Depois destes dois comentários, pode ser ousadia minha ou «coragem » balofa emitir uma observação. As palavras nem sempre traduzem as realidades e há actos de coragem que são loucura e insensatez e outros considerados cobardia que são reflexo de sensatez, serenidade, maturidade.
    O jovem rei D. Fernando era «corajoso» a tal ponto que o cardeal que lhe servia de mestre lhe chamava a atenção para a conveniência de ser mais contido nas suas acções demasiado exuberantes. O rei perguntou Mas o que é o medo de que cor é? Ao que o mestre respondeu o medo é da cor da prudência.
    Muita gente corre atrás de «ídolos passageiros» para alimentar a exibição a vaidade, a ostentação, multiplicam as aparições em público e as palavras abundantes e sem conteúdo, numa aparente coragem falaciosa.

    Felicito a Amiga Zélia por nos trazer tópicos de meditação que desejo sejam bem aproveitados pelos leitores.

    Cumprimentos
    João

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    1. Olá, Ilustre Amigo, A. João Soares,
      É como diz, e por isso o título do poema é - Coragem? Ou cobardia?
      Tudo depende do conceito das palavras, das ideias, dos pensamentos, da sensibilidade, da formação, isto é, da relatividade das coisas.

      Tudo é relativo. Porém existem valores eternos e universais que são inconfundíveis, não discutíveis.

      Sei perfeitamente, que consegui transmitir o meu pensamento e também aceito que outros pensem de maneira oposta. Mas, repito, há valores indiscutíveis porque naturalmente universais e inerentes ao ser humano. Salvo, naqueles que não querem pensar a não ser agir, na vida e em relação ao seu semelhante, de forma pragmática, cruel e hedonista.

      É sempre uma honra para mim seu comentário.
      Grata,
      ZCH

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  3. Acredito que a poetisa, em seus versos, apenas quis dizer o quanto pesa a diferença social. Pois diante das melhores oportunidades é lógico que sempre cabem aos que mais possuem! Infelizmente essa é a nossa realidade.
    Mais uma excelente composição Zélia.
    Bjsss

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    1. Monica,

      A forma como o nosso Governo atua é puro ato de cobardia, porque, apenas, atinge os indefesos. São estes que estão a ser espoliados para pagarem a crise que eles, os que têm governado este País, nos últimos 20 anos, causaram.

      Ouvi dizer que a forma como se governa é um ato de coragem. Não, não é! A isto chama-se cobardia!!!!

      Já disse tudo, aqui, mais só em poesia, ou antes, em verso livre.

      Grata, Minha Querida Mónica, por sua sempre tão agradável presença, e, beijinho,
      ZCH

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