quinta-feira, 16 de maio de 2013

Coitados destes patrões...




 
Há muitos anos atrás,
Não estávamos nós aqui,
E, a muitos ainda apraz,
Vou contar-vos o que li:
 

Uma classe social
De senhores bem pomposos,
C’empregadas de avental,
Eram distintos, famosos!...
 

Pavoneavam-se nas ruas
Mostrando ares de elegância
Acompanhados p’las suas
Servas pagas p’la ganância.
 

Era fácil servas ter
Pois, apenas, lhes pagavam
Côdea de pão p’ra comer
E, as servas não lhes faltavam…
 

Faziam grande vistão
Com a grinalda e avental
Ganhavam um dinheirão!
Assim, tinham serviçal…
 

Elas ganhavam tão bem,
Trajavam ainda melhor
E, se  comiam tão bem!...
Era emprego do melhor!
 

Agora não há trabalho?
Coitados destes patrões…
A oferecerem trabalho
E só aparecem calões…
 

É o que agora, estais a ver:
Com comida até fartar,
A progredir e a crescer
E não querem trabalhar…
 

Coitados destes patrões…
Bom ordenado pagar
E, só aparecem calões
Que só querem protestar!...
 

Coitados destes patrões,
Merecem ser ajudados,
Pois, pagam tão bons tostões
E, não encontram empregados…

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Poema de - Zélia Chamusca
Fonte de imagem - Google

2 comentários:

  1. Amiga Zélia,

    «Coitados destes patrões» e «só aparecem calões», são duas expressões que definem uma explicação que, timidamente, passou para o público. O desemprego que apoquenta tantas famílias constitui um trunfo para os empregadores que, segundo a lei da oferta e da procura, conseguem ter trabalhadores por preço (salário) muito mais baixo do que aquele que era considerado normal. Em reforço disso aplicam a ideia de que são calões, mal preparados, sem dedicação às tarefas, etc

    E a realidade trará dias piores, porque quem não recebe uma recompensa justa e digna perde motivação para ser perfeito e o resultado serão produtos com defeito que lesarão o cliente e, no fim, o negócio da empresa.

    Esperemos o milagre da Nossa Senhora de Fátima e de S.Jorge.

    Beijos
    João

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  2. Caro Amigo, Ilustre Senhor A. João Soares,

    Fico feliz por ter conseguido transmitir meu sentimento de indignação.

    Sim, indignação por não haver sensibilidade para sentir e ver que se não houver incentivo para o trabalhador não haverá produtividade.

    Neste nosso País, infelizmente, neste estado de insensatez, onde o ordenado mínimo é inferior ao praticado em todos os países da Europa. É um mísero ordenado. Não sei como é possível sobreviver mesmo dormindo debaixo da ponte...

    Como é possível preconizar redução de salário e permitir que se pague quantias de 50% desta miséria. Sim, há trabalhadores a ganhar duzentos e tais euros mês!

    Como é possível?!

    Irão estes patrões ter redução do IRC?

    Que tristeza meu Deus...

    Mas, nem Deus nem Nª.Senhora nos irá salvar.

    Quando não existe dignidade entre os humanos, Deus não salvará...

    Somos nós próprios que temos que lutar. PODEMOS MUDAR O MUNDO unidos pelos laços da fraternidade.

    Grata por seu incentivante comentário e, abraço fraterno,
    ZCH

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