terça-feira, 25 de setembro de 2012

SOU

SOU

Sou no mundo a emoção,
Sou corpo e alma,
Sou gelo e calor,
Sou chispa e calma,
Sou ousadia e pudor,
Sou afeto e sou paixão!...

Sou plenitude transbordante,
Sou força e vigor,
Sou lume escaldante,
Sou esperança e amor,
Sou transparência,
Exuberante abertura,
Clarividência,
Razão e loucura! …




Mas, se abro as portas à essência do meu ser;
Fecho-as mais pobre:
Se esvai maculada a privacidade,
Que ocupa meu espaço mais nobre.
Minha força começa a esvanecer…
E me cerro na ténue fragilidade! …

Nesta complexidade me refugio
E, paradoxalmente, me liberto:
Danço e canto, corro e salto, choro e rio!...
Mas … em vão…
Na intimidade me aperto
E me afago na solidão!...
             «»

Poema reeditado - da obra PEDAÇOS DO MEU CORAÇÃO
Autora - Zélia Chamusca
Edições Vieira da Silva

7 comentários:

  1. O teu EU escancarado em tua poesia. Num majestoso e rico lirismo.
    Bravoooo poetisa.

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    1. É verdade, Mónica, meu eu escancarado!

      Beijinho,
      ZCH

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  2. Cara Amiga Zélia,

    A luta permanente entre o privado e o público entre o nosso ser mais íntimo e aquilo que desvendamos aos outros, faz recordar a entrevista de Agostinho da Silva publicada no nosso blogue Sempre Jovens. O protocolo, as limitações externas ao nosso comportamento destrói muito do nosso valor intrínseco e cerceia o desenvolvimento das crianças amordaçando-as num esquema artificial castrador

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  3. Ilustre Senhor A. João Soares,

    Revi a entrevista de Agostinho da Silva.
    Penso um pouco de maneira diferente.
    Educar é conduzir. Todos nós, e não só as crianças, precisamos de educação e formação ao longo da vida. Apenas as crianças precisam de ser instruídas, e, como diz Agostinho da Silva, mais ou menos, dá-se-lhe um tijolo para que ela se construa, se estruture.
    Ensina-se a criança a dar os primeiros passos na sociedade em que estamos inseridos e será ela que, partindo das premissas transmitidas, seguirá o seu rumo.

    Não vejo que haja limitações externas ao nosso desenvolvimento ou comportamento porque nós somos em circunstância e, como tal,livres para agirmos face às mesmas.

    Não sinto o que diz porquanto somos dotados de inteligência e liberdade para seguirmos o nosso caminho e construir nossa vida em qualquer circunstância, ou mesmo modificando a própria circunstância ou criando nova circunstância.

    Agostinho da Silva refere a situação dos reformados que privados do desenvolvimento da vida profissional que desempenharam durante longa vida,vivem da recordação e acabam por morrer cedo.

    Estes reformados são pessoas intelectualmente débeis, e, sê-lo depende deles como poderá depender deles próprios ser o inverso, serem intelectualmente fortes e ativos.

    As pessoas inteligentes nunca se reformam, ou seja, reformam-se duma determinada atividade mas mantêm-se ativas noutra.

    Isto é o que pensa e faz uma pessoa normalmente inteligente.

    Os outros não poderão servir de paradigma à sociedade.

    Sintetizando:

    Não há castração à nossa personalidade, à nossa essência, áquilo que quisermos ser.

    A finalidade de nossa vida é evoluir. Evoluir no meio em que estamos inseridos ou naquele que conseguirmos atingir.

    Já vai longe a divagação filosófica.

    Relativamente ao meu poema não esqueça que é um poema e como tal não corresponde inteiramente à realidade. Efetivamente sou muito do que está escrito mas não estou definida nestas palavras quanto à essência do meu eu.
    Apenas, pretendi escrever um poema onde exponho minha sensibilidade e minha criatividade, ou seja, exponho a essência da sensibilidade mas não a verdadeira essência do meu eu próprio, porque esse eu fecho, guardado a sete chaves, e, não por qualquer castração transmitida pela sociedade, mas pela minha própria maneira de ser e de estar na vida face aos outros.

    Muito grata por seu reflexivo comentário que me conduziu a uma resposta do mesmo modo reflexiva.

    ZCH

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  4. Ou seja, uma dicotomia entre o querer e o poder, a audácia e a prudência, o deve e o haver, o paradoxo da valentia e do medo e do ser ou não ser. Vero?

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    1. Olá, Adriano,

      É uma dicotomia por vezes antagónica mas sempre formando um todo em complementaridade que define o ser humano na sua complexidade.
      Fico feliz com a sua presença.
      Beijinho,
      ZCH

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  5. Infelizmente outro amigo verdadeiro que já não está entre nós. Mas está em espírito comigo. Quem sabe se não voltaremos a encontrar-nos? Até lá Adriano.

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