domingo, 9 de setembro de 2012

INTERVENÇÃO EM DOZE QUADRAS























Zélia Chamusca

 

Ouço tantos a mentir,
Os que tem o Poder,
Que chego a estar a sentir
Que começo a enlouquecer.

Num país desgovernado
Todos falam com razão.
Mas, o pobre do coitado
É  quem fica sem o pão.

A proposta de equidade
Nos deram a conhecer
E é sempre a desigualdade
Que acaba por nos vencer.

E àquele que bem trabalha
Querem baixar os salários
Técnica que nunca falha
Na mente dos Comissários.

Os que ganham aos milhões
Enchem-se até fartar
São dos pobres os tostões
Que têm tudo pagar.

E a iniciativa privada
É sempre favorecida
De nada se vê privada
P’ra estes é boa a vida.

E os que fogem ao fisco,
São estes e mais alguns,
Não sofrem qualquer risco
E são casos tão comuns.

E todos os que roubaram
Vivem à grande e à francesa
De luxo até se abastaram
Nada lhes falta na mesa.

Continuam a encher-se
São os mesmos a roubar
Na crise a enriquecer-se
Nada lhes irá faltar.

E os que a crise, aqui, criaram,
Os que estão de longe a ver,
Fugiram e se baldaram,
Estão no luxo a viver.

Ouço dizer que fui eu,
Gastei mais do que devia,
Esta gente enlouqueceu,
Não percebo esta ironia.

O que aqui estou a dizer
É apenas poesia,
Não duvidem, podem crer,
Não liguem… é fantasia…
             «»
                          2012-09-08

Poema de - Zélia Chamusca
Da obra -  A MENSAGEM - Podemos mudar o mundo

Chiado Editora

2 comentários:

  1. Não é somente fantasia não.
    És poetisa, e tua poesia retrata teu coração.
    Versos tão bem bordados,... Pena que sejam tão verdadeiros.
    Bjssss

    ResponderEliminar
  2. Querida Mónica, tenho muita pena de ter que dizer que é o retrato do meu país.

    Mas estamos a lutar...

    Beijinho minha Querida,
    ZCH

    ResponderEliminar