quarta-feira, 25 de julho de 2012

No meio de tudo isto; não resisto...

                                                   

 
Trabalhei, estudei, sonhei e amei.

Toda a minha vida projetei

No sonho que com amor abracei

E que sempre concretizei.

E do tanto que conheci e aprendi

Não entende minha razão

A crueldade,

Nesta sociedade

Dominada pela ambição,

Que torna os ricos cada vez mais ricos

Quando tantos ficam sem pão!

 Trabalhei, e trabalharei

Sempre e no trabalho me realizarei.

O trabalho é a nossa manifestação

Enquanto seres humanos.

É a nossa participação

Na obra da criação.



Estudei e estudarei

Enquanto estiver, aqui, presente.

A vida é uma aprendizagem permanente,

Esta aprendizagem

É a finalidade primordial

À vida essencial.

É através da aprendizagem

Que nós evoluímos,

Progredimos,           

E podemos tornar-nos melhores

Para nós, para o próximo,

E mais úteis à sociedade

Percorrendo o caminho do Bem,

Do Amor e da Fraternidade.


Sonhei, sonho e sonharei

Sempre, mesmo quando penso

Que não mais sonharei…

É o sonho que comanda a vida.

É no sonho que criamos a nossa realidade.


Sonhei e todos os sonhos,

No que dependeu de mim, concretizei.

Porém, o sonho de viver numa sociedade

Onde existisse a igualdade

De oportunidade,

A solidariedade,

A fraternidade,

Este sonho ruiu…


Vivo numa sociedade

Em que só alguns têm oportunidades

Para viver, ser e crescer;


Vivo numa sociedade

De oportunismo

Num país tornado falido

Pelo capitalismo;


Vivo numa sociedade

Em que mataram a esperança,

O projecto de ser

E de querer ser;


Vivo numa sociedade

Em decadência moral;


Vivo numa sociedade

Dominada pelo Poder,

Pela ganância

Pelo mal!


Amei e amo em todas as vertentes

E tonalidades diferentes…

É o amor que dá vida à vida.

Ele é o êmbolo da vida.

É elemento vivificador.

Sem amor nada existe.

O Amor é princípio, meio e fim

De tudo.

Ele estará sempre presente em mim.


Mas, no meio de tudo isto;

Não resisto…


O amor se perdeu,

O egoísmo prevaleceu,

O capitalismo venceu…


Com todo o meu conhecimento,

Numa vida de já grande vivência

Feita de estudo e experiência,

Não vê minha consciência,

Falta-me  a clarividência…


Nunca tal sonhei, nem pensei,

Não entende minha razão

A razão deste fatal regresso

Ao esclavagismo,

Ao fascismo,

Onde se preconiza redução de salários

Aos que trabalham,

Onde se rouba os que trabalharam

E descontaram para seu sustento

Quanto já estivesse no tempo

De descanso da vida dura

E as forças já faltassem…

Se aproveitaram desse dinheiro,

Durante o tempo inteiro,

Dos mais velhos que descontaram,

E que guardaram para sua tranquila sobrevivência,

Para o fim da existência

E lhes roubaram!…

Sim, literalmente,

Lhes roubaram

O que ganharam

E que já não podem voltar a ganhar,

Já não podem recuperar…

Enquanto outros se vão enchendo!…

Os que originaram a crise

E não a pagam.

Não pagam…

Não devolvem o que roubaram

A este pobre país…
 

Fatal regresso à escravatura

Numa ditadura

De prepotência radical

Numa sociedade desigual

Em que algozes

Comem tudo e até o pão

Aos pobres, ricos em coração!



     


Poema de - Zélia Chamusca
Da obra - A MENSAGEM - Podemos mudar o mundo
Chiado Editora
Fonte de imagem - Google

16 comentários:

  1. Teu desabafo poético social alcança as fronteiras e identifica-se com o meu Brasil. Lamentável tudo isso.
    Em silêncio receba minhas reverências.
    Bjsss

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    1. Olá Querida Mônica,

      Infelizmente o mal paira em todo o mundo e em qualquer lugar do planeta os homens, ser humano (?)são iguais...
      Grata por sua visita carinhosa e beijinho,
      ZCH

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  2. Como consegue fazer? Parece tão simples, dizer tudo o eu penso assim, como se fosse uma conversa. Lindo. Obrigada.

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    1. Olá Querida Anabela!

      Sabe, perfeitamente, que é fácil. Porque já vi que também tem esta facilidade.
      Basta apenas dizer o que se sente no momento próprio.

      Grata pela visita e seu comentário e beijinho,
      ZCH

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  3. Olá minga grande e querida amiga...sinto-me egoísta...deixei este tesouro de poema, entre tantos outros, aqui tão só...ainda bem que a Mónica...a Anabela...belo,o que li, desde quase seu nascer...a indignação que sobe e termina num grito de indignação...bravo, am iga Zélia Chamusca..seu poema me enche de orgulho em ser na sua amizade...poema sentido...racional...exigente na sua expressão de humanidade...beijo caloroso de fraternidade...jrg

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    1. Querido Amigo, Grande Escritor, Homem de Coragem,

      Seu comentário me comoveu pela felicidade que sinto em encontrar, aqui,Alguém que não tem medo, que sofre e sente e que expande seu grito de revolta.Este grito é também o meu e fico feliz por alguém estar comigo em consonância de pensamento e sensibilidade.
      Grata, Amigo, Escritor João Raimundo Gonçalves,
      ZCH

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  4. Olá, Zélia, meus cumprimentos e minha admiração. Como é possível tanto tempo pessoas se cruzarem sem se....conhecerem!!! Continue. MC. JABaptista

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    1. Jose A Cristóvão,
      A forma como se expressa leva-me a ilacionar que, de facto, nos cruzámos, provavelmente, durante muitos anos...
      Mas, eu não me lembro do seu nome...
      Diga-me pelo Facebook.
      Espero-o mais vezes e fique certo de que, aqui,ir-me-á conhecer melhor porque as minhas palavras refletem a essência do sentimento em que me identifico e reconheço.
      Grata por sua visita e seu simpático comentário,
      ZCH

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  5. Cara Amiga Zélia Chamusca,

    Passados dois anos, depois deste belo poema ser publicado no blogue, ele tem actualidade amadurecida. Infelizmente, porque o ser humano não inverteu o rumo de degradação que imprimiu insistentemente aos valores que nos devem orientar. Na parte final nota-se algum desespero e desilusão com o que se passa à volta. A isso permita-me dizer que não devemos perder a esperança e quem tem uma arma como a sua expressão, não pode deixar de a brandir porque a mudança será feita e já há sinais positivos, em áreas mais férteis ao sentimento de cidadania. A humanidade sempre evoluiu em movimento sinusoidal, com altos e baixos. É o momento de voltarmos a percorrer a curva ascendente. A esperança de cada um, mesmo que ténue, será um vector de fortalecimento do movimento de regeneração.
    Continue o seu papel de grande pensadora. A humanidade precisa da sua obra.
    Beijo
    João Soares

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    1. Olá Ilustre Sr. A. João Soares,
      Limito-me a agradecer as suas palavras de incentivo e esperança e, oxalá, em breve venhamos a viver num país justo onde as pessoas sejam tratadas com a dignidade merecida e não espoliadas, aviltadas e tratadas como servos pelos detentores do poder, que não respeitam valores nem a lei para atingirem os seus fins, dominados pelo capitalismo egoísta, cruel e desumano. Não foi este o poder que lhes foi dado por nós, pelas pessoas que eles escorraçam, aviltam e destroem. O poder que lhes demos não foi para assim nos tratarem, em proveito dos seus interesses no mundo capitalista e desumano, foi-lhes dado para que nos sirvam defendendo os direitos e deveres de todos, numa sociedade democrática em que cada individuo seja tratado com dignidade e respeito pelos seus direitos e deveres consignados na lei da Constituição Portuguesa.
      Não percamos a esperança e não tenhamos medo de falar e lutar para que a luz que começa a despontar ilumine as mentes obscuras e possa reconduzir-nos a uma sociedade justa, humana, solidária e fraterna.
      Reitero meus agradecimentos pelo seu incentivante e esperançoso comentário que muito ilustra este espaço e dá força à nossa luta para que transformemos o sonho em breve realidade.
      ZCH

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  6. Os tempos são difíceis. A humanidade continua em degradação, isto é se não melhora vai piorando.. Como diz Papa Francisco,«Hoje em dia os mercados financeiros contam mais do que as pessoas, é uma economia doente». Reina o poder financeiro,frio e insensível aos problemas humanos.
    Depois, em consequência, surgem massacres humanos que são uma ponta do iceberg e não basta matar os actores da violência, ou agir preventivamente ou por retaliação contra outros possíveis terroristas.
    Há que analisar o problema nas suas causas, no seu crescimento e nas suas manifestações visíveis, a fim de encontrar soluções pacíficas para fazer face às causas que sejam lógicas e legítimas.
    Para evitar os roubos a solução não será cortar as mãos a todos os pobres famintos. mas fazer com que deixem de ser pobres e de ter fome.
    É certo que tais situações não se resolvem com opiniões,mas estas são necessárias para despertar aqueles que têm capacidade formal para encontrar as vias do necessário diálogo e obter o apaziguamento colaborante entre todos.
    Continue a usar a sua arma, o pensamento e a capacida e de expressão.
    Beijo
    A João Soares

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    1. A.João Soares,
      O Sr. pode ainda estar doente, não estar, totalmente, recuperado do mal destes últimos dias, mas da cabeça está ótimo! Extraordinário o seu comentário, como sempre e destaco: "Depois, em consequência, surgem massacres humanos que são uma ponta do iceberg e não basta matar os actores da violência, ou agir preventivamente ou por retaliação contra outros possíveis terroristas" Eu não entendo a inteligência das generalidade das pessoas... É defeito meu. Mas já não irei aprender ou a corrigir a minha incapacidade. Muito grata pelo seu comentário e força para continuar por muitos anos!
      Beijinho,
      ZCH

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  7. Zélia,seu desabafo poético é o mesmo que gostaria de ter feito pelo povo do meu país..Te abraço

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    1. Olá Marcia,o meu desabado poético não tem nada de poético é a lamentável e triste realidade que transmito em forma de verso livre. O ser dito humano, infelizmente, é igual em todo o lado.
      Beijinho, Marcia, e fico feliz com a sua prtesença, ZCH

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