domingo, 29 de julho de 2012

TROVA VI







   





















No sorriso enxugo as lágrimas

Que dentro do peito caiem,

Elas nascem na tristeza

E da dor forte elas saem.

                         Zélia Chamusca
  

quarta-feira, 25 de julho de 2012

No meio de tudo isto; não resisto...

                                                   

 
Trabalhei, estudei, sonhei e amei.

Toda a minha vida projetei

No sonho que com amor abracei

E que sempre concretizei.

E do tanto que conheci e aprendi

Não entende minha razão

A crueldade,

Nesta sociedade

Dominada pela ambição,

Que torna os ricos cada vez mais ricos

Quando tantos ficam sem pão!

 Trabalhei, e trabalharei

Sempre e no trabalho me realizarei.

O trabalho é a nossa manifestação

Enquanto seres humanos.

É a nossa participação

Na obra da criação.



Estudei e estudarei

Enquanto estiver, aqui, presente.

A vida é uma aprendizagem permanente,

Esta aprendizagem

É a finalidade primordial

À vida essencial.

É através da aprendizagem

Que nós evoluímos,

Progredimos,           

E podemos tornar-nos melhores

Para nós, para o próximo,

E mais úteis à sociedade

Percorrendo o caminho do Bem,

Do Amor e da Fraternidade.


Sonhei, sonho e sonharei

Sempre, mesmo quando penso

Que não mais sonharei…

É o sonho que comanda a vida.

É no sonho que criamos a nossa realidade.


Sonhei e todos os sonhos,

No que dependeu de mim, concretizei.

Porém, o sonho de viver numa sociedade

Onde existisse a igualdade

De oportunidade,

A solidariedade,

A fraternidade,

Este sonho ruiu…


Vivo numa sociedade

Em que só alguns têm oportunidades

Para viver, ser e crescer;


Vivo numa sociedade

De oportunismo

Num país tornado falido

Pelo capitalismo;


Vivo numa sociedade

Em que mataram a esperança,

O projecto de ser

E de querer ser;


Vivo numa sociedade

Em decadência moral;


Vivo numa sociedade

Dominada pelo Poder,

Pela ganância

Pelo mal!


Amei e amo em todas as vertentes

E tonalidades diferentes…

É o amor que dá vida à vida.

Ele é o êmbolo da vida.

É elemento vivificador.

Sem amor nada existe.

O Amor é princípio, meio e fim

De tudo.

Ele estará sempre presente em mim.


Mas, no meio de tudo isto;

Não resisto…


O amor se perdeu,

O egoísmo prevaleceu,

O capitalismo venceu…


Com todo o meu conhecimento,

Numa vida de já grande vivência

Feita de estudo e experiência,

Não vê minha consciência,

Falta-me  a clarividência…


Nunca tal sonhei, nem pensei,

Não entende minha razão

A razão deste fatal regresso

Ao esclavagismo,

Ao fascismo,

Onde se preconiza redução de salários

Aos que trabalham,

Onde se rouba os que trabalharam

E descontaram para seu sustento

Quanto já estivesse no tempo

De descanso da vida dura

E as forças já faltassem…

Se aproveitaram desse dinheiro,

Durante o tempo inteiro,

Dos mais velhos que descontaram,

E que guardaram para sua tranquila sobrevivência,

Para o fim da existência

E lhes roubaram!…

Sim, literalmente,

Lhes roubaram

O que ganharam

E que já não podem voltar a ganhar,

Já não podem recuperar…

Enquanto outros se vão enchendo!…

Os que originaram a crise

E não a pagam.

Não pagam…

Não devolvem o que roubaram

A este pobre país…
 

Fatal regresso à escravatura

Numa ditadura

De prepotência radical

Numa sociedade desigual

Em que algozes

Comem tudo e até o pão

Aos pobres, ricos em coração!



     


Poema de - Zélia Chamusca
Da obra - A MENSAGEM - Podemos mudar o mundo
Chiado Editora
Fonte de imagem - Google

sábado, 21 de julho de 2012

TUA COR VERDE MAR


                                                     

TUA COR VERDE- MAR
Zélia Chamusca


Estás negro, bravo
E clamas alto,
Alto mar.
Parece que, também, queres
Contra o Poder, protestar
E com tua força,
Nas altas ondas a rebentar
Alguém hás-de derrubar!

Já sei…
Estou a ver…
Queres meu sentir apoiar…
Então, vamos!
Irmanados,
Abraçados!
É tua a voz!

Oh! Mar revolto!
Pára teu murmurar!
Não vez que a Natureza
Fica triste e a chorar?...

E eu que te vim visitar
Porque não me recebes em teu doce amainar?...

Quero em tuas calmas águas,
Num doce flutuar,
Contemplar a natureza
E tua cor verde-mar…

           
Poema de - Zélia Chamusca
Fonte de imagem - Google

quinta-feira, 19 de julho de 2012

TROVA V

               

Fonte de imagem - Google                     

terça-feira, 17 de julho de 2012

APAIXONEI-ME




APAIXONEI-ME
 Poema de Zélia Chamusca

Apaixonei-me
Pela imagem narcísica
Que em mim visualizei.

Pela alegria
Que sinto
Ao renascer
De novo dia.
Por ser
E viver
Com prazer.
Pelo sol,
Pela lua,
Pelas estrelas,
Pelo mar,
Pelo céu,
Pelo firmamento,
Pelo vento,
O ar em movimento...
Pela beleza
De toda a natureza
Que é encantamento!...

Apaixonei-me
Pela dança
Do rodopiar
Das aves a voar,
Das nuvens alvas,
Brancas
E calmas,
Levemente levadas
Pelo vento,
A soprar
Sem parar,
Sempre a soar,
A meus ouvidos segredar
Doces palavras de amor
E de amar...

Apaixonei-me
Pela poesia
Que sinto dentro de mim,
Num prazer sem fim,
De encanto,
De magia,
De fantasia,
De alegria!...

Apaixonei-me
Por meus ideais,
Singelos,
Únicos,
Que tornei reais.
Pelos projectos
Que tracei
E concretizei
Através do amor
Com que os abracei.

Apaixonei-me
Pela universalidade
Da vida
E pela singularidade
Da minha vida.

Apaixonei-me
Pela Felicidade
Da música que escuto
Na alma
Onde perscruto,
Em cada momento,
Uma tonalidade
De encantamento
E fascínio
Apaixonantes!...

                         

Poema de Zélia Chamusca - publicado no PEAPAZ -Poetas e Escritores do Amor e da Paz em 17/7/2011
Fonte de Imagem -Google