domingo, 25 de dezembro de 2011

Abandonada num lar


                             
 
                     
                   
 
 Dói-me tanto o coração,
                           Nesta angústia, nesta dor,
 
                         Por ver tanta incompreensão
 
E tanta falta de amor...

 
Mãe, tu que teus filhos criaste
Com  tanto carinho e amor,
O teu coração lhes doaste
Sem nunca sentir a dor.

 

Da vida difícil, dura,
Que em cada dia tu  travaste
E sempre com tua doçura
E com muito amor tu os criaste...

 

E, agora, já no final,
De vida dura de luta,
Vais ficar, neste Natal,
Sozinha na tua labuta.
 

Mãe, tu que teus filhos criaste
Com tanto amor p'ra lhe dar
E tanto, tanto os amaste;
Abandonada, num lar…

                         «»             2011-12-24

                         




Poema de -   Zélia    Chamusca
Fonte de Imagem - Google                                                             

10 comentários:

  1. Excelente. Um lindíssimo poema e uma denúncia forte duma realidade que nos devia envergonhar. Não sabemos respeitar e acarinhar os nossos idosos. Em que é que se tornou o homem? Desumanizou-se e tornou-se num monstro.Zélia, fico muito agradado porque há muitos pontos de convergência entre as nossas poesias. Sinto-me honrado por isso. Um beijinho.

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  2. Olá Duarte,
    O que escrevi não é um poema é sim um grito de revolta.
    Não calcula como fiquei doente quando soube dum caso (como tantos,infelizmente) uma pobre mãe que tanto trabalhou e deu amor a seus filhos enquanto pode trabalhar e depois de já não poder os seis filhos, seis, repito, nenhum quer a mãe no seu lar.Não entendo como excluem os pais do meio familiar. E,fico por aqui...
    Fico feliz por sentir como eu e grata por ter lido.
    Beijinho,ZCH

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  3. Esse teu poema sempre tocou meu coração. A tristeza e o abandono que exala, aperta meu peito.
    Isso apenas comprova, tamanho é o sentimento com que escreves.
    Bjssssssssssss

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  4. Querida Amiga e Poeta Mônica Pamplona,

    É sim triste e dolorosamente sentido e a única forma de aliviar a dor que sinto foi escrevendo...
    Não entendo...

    Beijinhos,
    ZCH

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  5. Cara Amiga Zélia,

    A humanidade está pervertida, apesar do esforço de algumas pessoas que se esforçam por melhorar as relações entre os seus semelhantes.
    Nestes dias e noites de muito frio, há muitos sem-abrigo a dormir ao ar livre, sem sequer um alpendre, uma cocheira, um palheiro. Mas pelo contrário, há muita gente que se considera possuidora de bom coração que luta contra as touradas, contra o abandono de animais, etc. Qual é a escala de valores dessa gente? Quantos graus coloca os animais acima das pessoas???
    Devemos respeitar os animais, mas não devemos esquecer os seres humanos que sofrem, como caso dos idosos abandonados por aí....

    Beijo e boas perspectivas de Feliz Natal
    João

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    1. Olá, Ilustre Amigo A. João Soares,

      É como diz a humanidade está pervertida. Constato isto no dia a dia e fico indignada como o mundo piorou em tão curto espaço de tempo.
      Como podem reparar nos sem abrigo, a viver na rua ao frio e sem nenhuma condição (não sei como resistem) se abandonam os pais nos lares e nos hospitais. E esta prática é vulgar... Eu não entendo... Os pais sacrificam-se para criar os filhos e, mais tarde até os netos, para depois, quando os pais estão velhos se descartarem deles... Não entendo...
      Pretendi, no meu simples poema, em redondilha maior, alertar para este facto.
      Ensinaram-me a respeitar os idosos. Agora todos se querem descartar deles e até dos próprios pais!...
      Seria bom que procurassem bem dentro dos seus corações um pouco de amor para retribuir àqueles que, por amor, lhes deram a vida.

      Muito grata por seu comentário que muito ilustra este espaço e, um abraço fraterno,

      ZCH

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  6. Amiga ZéliaChamusca,
    Já Virgílio Ferreira descrevia no livro «Manhã Submersa» a tragédia de um pai que num lar esperava cada dia que a filha o fosse visitar e ela não aparecia.A narrativa era feita na primeira pessoa,pelo que se tornava mais sensibilizante. A sociedade está alterada porque a mulher passou a trabalhar e raramente é possível ter em casa um idoso que precisa de companhia permanente. O lar é solução. Mas no Natal e em outras festas de família, o idoso deve ser desviado do lar de idosos, para em casa da família confraternizar com os familiares. Esse pormenor falta por insensibilidade e egoísmo dos filhos. Sinal dos tempos modernos que se agrava e já há quem (o PR francês Hollande) fale de sedação até à morte a quem tiver doença incurável.

    Beijos
    A João Soares

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    1. Olá, AJoão Soares, desta vez não concordo consigo o que normalmente não acontece. Conheço imensos casos de pessoas que estão em casa e que nada fazem e algumas até têm empregada permanente. O caso que me levou a escrever este poema foi de uma mulher que teve 5 filhos e uma filha e todos tinham as mulheres em casa, não trabalhavam. Ontem tive conhecimento de um outro caso. Uma senhora que tem dois filhos e as respetivas esposas estão em casa e nada fazem têm filhos criados. Não é como diz. Uma vizinha minha tem empregada permanente e colocou a mãe num lar. Hoje, esta prática é generalizada porque as pessoas se desumanizaram. Deixaram de ser pessoas! Fica muito mais barato ter mesmo uma empregada em casa do que ter que pagar a um lar que é bem mais caro. Já disse muito para aqui. Eu não entendo isto e nunca , de modo nenhum colocaria a minha mãe num lar! As mães também trabalham e criam os filhos, não os abandonam. Porque não fazem como fazem com as crianças? Vão por as crianças de dia nos infantários e à tarde vão buscá-las. Também podem por pai ou mãe no lar de dia e à tarde trazer as crianças e o pai ou mãe. Pode ou não? Uma mãe dá tudo pelo filho/a. E quando já não pode e fica dependente descartam-se dela/e como lixo!!!

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  7. Zélia é uma verde cruel o abandono de nossos velhos ...Ainda bem que ainda existem exceções que conhecem ao verdadeiro sentido da palavra gratidão...Fim de ano de paz e luz...Te abraço poetisa de além mar

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    1. Olá, Marcia, muito grata pelo seu reconfortante comentário em consonância com a minha sensibilidade e forma de pensar. Desejo-lhe um Feliz Ano Novo.
      Beijinho,
      ZCH

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