terça-feira, 15 de maio de 2018

Escravatura Laboral


 
 

 
 
 
 
 
Continua a escravatura

com salários miseráveis

pago a tanta criatura

a escravas assemelháveis!

 

São salários de miséria

os pagos à maioria;

o resto é tamanha léria,

uma perfeita  ironia!

 

Tudo querem imitar 

dos países avançados

mas, só vejo inventar

forma p’ra mais explorados!

 

Escravos  em Portugal,

vergonha do meu país,

tanto assédio laboral

e, dele nada se diz!

 

Que bom é ser europeu

onde se compara o mal…

Quem do povo se esqueceu

neste nosso Portugal?

 

Nas empresas, os gestores

ganham tantas vezes mais

e aos pobres trabalhadores

não dão um cêntimo a mais…

 

Peço a quem tem o Poder

que pense que quem trabalha

merece poder viver

a vida digna que valha!

                 «»

sexta-feira, 27 de abril de 2018

Malabarismo


 

       

Pensei que tinha acabado   

tão grande malabarismo

continua o mesmo fado 

que nem lembrou ao fascismo

 

É tanto malabarismo

no engenho das palavras

perfeito paradoxismo

natural para estes cravas

 

Palram para convencer

aqueles que não convencem

eles pensam em vencer

com palavras em que mentem

 

Pensam que é parvo o povo

mas parvo é que ele não é

não fazem nada de novo

apenas  “lari-lo-lé”! (1)

                    «»
                            Zélia Chamusca
                                                                                2016

 (1)  – Termo de "As Farpas" 1871, de Eça de Queiroz,  cujo significado se aplica aqui neste poema.

  Excerto:

“Que significa esta falsa compreensão das regalias constitucionais? Porque não tiram, para maior ... Hurra! Salta um decilitro! Fora, patife! E lari-lo-lé, lolé! Para o pagode! Oh!, legisladores! Oh!, homens de Estado! Oh!, feira das Amoreiras! Pois temos nós obrigação de respeitar a câmara, quando ela se não respeita? Pois ela ...” 

De “As Farpas”  - Uma Campanha Alegre  - de Eça de Queiroz 

domingo, 8 de abril de 2018

Monocórdico


       
Sobrevivo no mundo da utopia

E acordo num banho de água bem fria

Pela indignação da hipocrisia.

Levada nas ondas da fantasia,

Porque só por verdadeira ironia,

Se torna suportável o dia-a-dia.

 

Fecho-me no meu mundo belo irreal

Sonhando viver num lugar ideal

Esquecendo que à volta há tanto mal,

P’la ambição de tanta gente desleal.

Tanto comportamento antissocial

Que é reprovável mas não penal…

 

P’ra  do mundo ter outra perceção

Procuro encontrar mais compreensão

E em todos lugar no seu coração

P’ra unidos vivermos em comunhão

Num elo de amor fraterno de irmão

E que o meu mundo não seja ilusão!

                                      «»

                      
Poema de - Zélia Chamusca
Fonte de imagem -Google
                        

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Quando é que vais acordar?


 

Anda o povo inebriado

a sonhar que está no céu,

leva  meio tostão furado

feliz porque o recebeu.

 

Para ser pobre explorado,

coitado… assim nasceu…

Não vê que é escravizado

na miséria a que volveu.

 

Se a união tem muita força

e os pobres são aos milhares,

é lutar até que torça

p’ra não te subordinares

 

a tantos exploradores….

Querem o mundo abraçar,

dele são seus possuidores…

Quando é que vais acordar?

                      «»
                            


Poema de - Zélia Chamusca
Fonte de imagem - Google

segunda-feira, 26 de março de 2018

ECCE HOMO – JESUS


                                              Por Zélia Chamusca
 
“Ecce Homo“, eis o Homem, foram as palavras em latim pronunciadas pelo governador (praefectus) da província romana da Judeia, Pôncio Pilatos, ao apresentar Jesus Cristo aos Judeus (Evangelho segundo São João, 19.5).

É precisamente o Homem Jesus que tentarei identificar em breves palavras.

Jesus, espírito superior, foi o único ser humano que conseguiu revolucionar a história da humanidade defendendo os pobres e libertando os oprimidos para que usufruíssem a vida num contexto de novas relações sociais, abrindo um novo caminho, o da salvação, o caminho da paz.

O programa desta ação libertadora de Jesus é apresentado no seu discurso na Sinagoga de Nazaré (João, 4,16,22) tendo sido a partir daqui que surgiu o confronto de ideias, sendo Jesus acusado de provocar a violência do sistema baseado na riqueza e no poder, o que O levou  a ser condenado à morte pelo poder romano, Pôncio Pilatos.

Jesus é o autor da história dos pobres e dos que procuram um mundo mais justo e mais humano.

Jesus criou um projeto para uma ordem nova que nos conduzisse a uma relação de partilha e fraternidade acabando com a exploração e dominação humanas. É um caminho revolucionário, libertador, revelador de uma vida de dignidade para todo o ser humano, mediante um novo modo de ser e de agir.

Esta é a realidade histórica da figura de Jesus, enquanto Homem, e do Seu papel na sociedade.

Para os crentes, Jesus, sendo visto á luz da fé, não morreu; ressuscitou e está vivo, a morte de Jesus é a libertação. Só a fé mostra o que não é mostrável, o que não se vê, apenas, se aceita. Jesus ressuscitou em espírito e a ressurreição é o caminho da vida.

Vendo sob uma outra forma, o caminho da vida de Jesus é uma pedagogia que nos ensina a fazer a história dos pobres.

Todos os acontecimentos da vida de Jesus revelam a dimensão de uma vida nova que conduz o ser humano a um novo modo de ser, de pensar e de agir.

Passados cerca de 2000 anos (não se sabe ao certo), o percurso que Jesus nos deixou não chegou ao fim.

Deflagra a exploração do homem pelo homem. Os ricos cada vez mais ricos quando há milhares, na rua, a morrer de fome e, outros, tornados escravos a trabalhar duramente, mal remunerados, sem terem direito a uma vida condigna. Isto no século XXI.

Seria bom que refletíssemos e passássemos a mensagem aos que têm o poder para agir e pensar que os bens da Terra não são só deles, dos detentores de 99% da riqueza terrena enquanto 1% restante é para milhões da população mundial.(a)

Jesus deixou-nos o exemplo.

E se o Seu exemplo fosse seguido por todos nós?

Esta é a Mensagem de Páscoa da Ressurreição.

                                    «» 
                                                   Zélia Chamusca                                          
                                                     2018-03-25     
(a)     -   http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/01/160118_riqueza_estudo_oxfam_fn                                              
                                 
                                                              

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Metanoia

 
 

 
        


Busco outra forma de ser e viver,

quero, em tudo, ser bem diferente

tornando a inquietude sempre ausente.

Mudar de ideias p’ra voltar a ser!

 

P’ra viver uma metanóia presente

em constante procura e reflexão,

fase de busca e de sublimação,

é preciso mudança permanente!

 

Já mudei o meu pensamento!

Quero voltar a ser um novo ente

mudando a vida em cada momento!

 

Vou fugir da constante paranóia

da vida vivida por entre gente

p’ra viver em perfeita metanóia!

                         «»
                                                  Zélia Chamusca

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Já não sou eu


 

Sou, apenas, uma parte dum trio em mim,

Essência do meu ser e nada mais.

Em tudo na vida há p'ra sempre um fim

E eu sou eu, todos somos desiguais.

 

Já não sou eu; apenas do nada o confim

No equilíbrio que já se torna débil.

Éreis no mundo tudo para mim...

Sem vós fiquei arbusto seco e estéril!

 

Fugiu-me a vida do nada que eu era;

Restando, agora, a sombra de mim.

Já tudo partiu e o Reino me espera…

 

Resta a esperança de aí vos encontrar

Num abraço eterno, longo, sem fim,

P'ra nunca mais de vós  me separar!...

                              «»
                                 Zélia Chamusca