sábado, 8 de dezembro de 2018

O Mito do Natal


 
por  Zélia Chamusca 
                                 

No século XIX o mito era tudo o que se opunha à realidade, ou seja, fundamentava-se numa história fictícia passada, “in illo tempore”, em tempos remotos.

Por exemplo: a história da criação do ser humano, isto é, a criação de Adão e Eva, contida no livro primeiro da Bíblia, o Génesis; e, o mais antigo tratado da mitologia grega, a Teogonia que significa criação dos deuses, de Hesíodo, grande poeta contemporâneo de Homero, século VIII a.C., em que narra a criação do mundo a partir dos primeiros deuses, são mitos fictícios, acontecimentos fabulosos, não reais.

Do mesmo modo para o cristianismo primitivo tudo o que não tinha fundamento lógico, racional, era considerado falso: era uma fábula. Porém, o estudo dos etnólogos levou-os a refletir sobre esta herança semântica resultante da polémica cristã e do mundo pagão, passando o valor do mito a ser considerado a própria fundamentação da vida social e cultural de um povo. Ora, um  facto que se nos depara desde o inicio, para estas sociedades primitivas,  é que o mito era suposto ser uma verdade absoluta enquanto narração de um acontecimento sagrado.

E ainda hoje, repito, o mito é suposto ser considerado, nessas mesmas sociedades, como a verdade absoluta, porque conta uma história sagrada, ou seja, uma revelação transcendente que ocorreu na aurora do tempo. É uma narrativa lendária que corresponde à tradição cultural de um povo que explica a origem do mundo e de toda a natureza, não pelo pensamento, pela razão, ou pela inteligência, mas, explica-a através do apelo ao sobrenatural e, ao misterioso e, tratando-se de uma história sagrada é considerada real, verdadeira.

Ora, sendo uma história real e sagrada o mito torna-se exemplar e passível de repetição porque serve de modelo e justificação ao comportamento humano seguindo ações exemplares de um deus ou herói passadas em tempos remotos.

Dá-se assim uma inversão de valores, seguido pelas sociedades tradicionais e nas nossas ditas sociedades modernas; o que era considerado fictício passou a ser verdade absoluta quando se refere a uma história sagrada.

Aplicando este estudo ao caso vertente, o mito do Natal, o nascimento de Jesus, enviado de Deus, que veio ao mundo para nos ensinar a amar, que bom seria que adotando um comportamento mítico seguindo Jesus, tornássemos este mito do Natal num verdadeiro mito.

A realidade, porém, não é esta quando há corpos jazendo no chão, pela crueldade humana; gente a viver na rua ao frio, à chuva, ao vento; trabalhadores explorados vivendo em condições sem dignidade e, no mundo, crianças a morrer de fome, enquanto 1% da população detém 80% da riqueza mundial.(1)

Só quando existir no mundo uma cultura universal em que todos comunguem dos mesmos valores e usufruam,  da mesma riqueza dos bens da terra criados por Deus, isto é, só quando o mundo for de todos os humanos, assim, poderá haver Natal.

Este Natal que os cristãos festejam é mero mito, real fantasia, em que alguns vivem inebriados por breves dias.

É a festa do Natal!

É Natal de gastos supérfluos para alguns enquanto a maioria, mesmo nas sociedades ditas desenvolvidas, vivem em condições mínimas de bem-estar, pela falta de solidariedade, de falta de amor, de fraternidade, onde paira o egoísmo, a corrupção, o mal, a exploração do ser humano!

Tudo isto faz com que surjam movimentos isolados de crueldade e revolta que ninguém quer compreender que é porque não há Natal!

Só haverá Natal quando ouvirmos a palavra de Jesus:
Eu vos dou um mandamento novo: amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros (Jo 13,34).
 
 

                                                                                     Zélia Chamusca

                                                                                           Natal de 2018


 1  -   https://observador.pt/2018/01/22/relatorio-1-da-populacao-ficou-com-80-da-riqueza-mundial/

domingo, 2 de dezembro de 2018

É poeta quem tem garra


 

É poeta quem tem a garra

Em viver cada momento

E ter arte no que narra

Falando com sentimento

 

É saber cantar o amor

E ao abrir o coração

Sentir também quando há dor

Com sentimento e paixão

 

E ter presente a coragem

De viver e ser feliz

Na arte bela da linguagem

Por dizer sempre o que quis.

                  «»

                        Zélia Chamusca


Poema de - Zélia Chamusca
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sábado, 24 de novembro de 2018

Os meus sonhos


                                          

Os meus sonhos são

da cor da pureza

com tanta beleza

que o meu coração,

de encanto e emoção,

se transcende ao céu

de estrelas brilhantes

e tão cintilantes…

 

Um céu diferente

de beleza e estética,

primordial ética,

cheio de valores

e de imensas cores

que se misturam

numa sintonia,

de plena magia

na  sinestesia

da luz e calor

que brota do Amor!...

 

Estes são os meus sonhos…

São o meu grande encanto

 e que eu amo tanto!...

              «»

                   Zélia Chamusca

 
Poema de - Zélia Chamusca
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terça-feira, 20 de novembro de 2018

Sou eu assim...


 

Do todo me lembro

e no nada revivo

em cada momento

sentido,

sofrido…

 

Do todo da vida

em parcelas dividida:

Fragmentos de encantos,

contentamentos

e tormentos

vividos,

sentidos…

 

O todo e o nada

que é tudo

sempre presente em mim,

inerente a mim.

Sou eu assim…

         «»
Poema de - Zélia Chamusca
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domingo, 18 de novembro de 2018

A ningém há que igualar


                         


Eu não tenho ar de santa,

Pois, sou uma comum mortal,

Mas, um não sei quê que encanta

Faz de mim bem desigual.

 

É único todo o ser,

Diferente, singular;

Faz o que deves fazer

A ninguém há que igualar.

 

Todos temos por missão

Construir a nossa vida

Mesmo em qualquer situação

Diferente ou parecida.

 

É uma regra universal

Que não deves esquecer:

Que qualquer ser, afinal,

Tem que a sua vida fazer.

                  «»
Poema de -  Zélia Chamusca
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quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Lágrimas secas


 

São lágrimas secas

No rosto espelhadas.

Correm entre sulcos

Ao peito levadas.

 

De sabor a mar,

Lágrimas salgadas

Que por entre as ondas

Correm enlutadas.

 

Com  tristeza e dor,

No vazio perdidas,

Vagueando errantes...

Lágrimas sentidas...

 

Lágrimas de sangue

Que só eu as sinto,

Pelo outono secas

Num inverno faminto

 

De luz e calor,

No frio sepulcral,

Tétrico, vazio,

Onde há tanto mal!

               «»

                          Zélia Chamusca

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Há sempre um renovar em cada dia



 

Sou aquela que no mundo de ninguém

passeia pelo sol, luz a brilhar,

em rodopiar sempre num vai e vem

na vida que passa e nunca parar!

 

Sou nuvem leve que se esvai no vento,

gota de água em salpicos fragmentada

saindo do olhar  num breve lamento

como se fosse pedaço de nada…

 

O Nada é tudo na vida levada,

é o renascer continuo da alvorada,

é a luz dinâmica da energia!

 

Sou aquela que na manhã nevoenta

se levanta e a certeza acalenta

que há sempre um renascer em cada dia!

                               «»
Poema de - Zélia Chamusca
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