terça-feira, 6 de agosto de 2019

Dançam os Deuses na Lua


 

Estão no céu os deuses loucos

a festejar com  manjar  

fornecido p’lo negócio

de incêndios a deflagrar

 

E o pobre honesto a sofrer

por não poder respirar

e tão aterrorizado

de ver tudo a queimar

 

Quer fugir mas já não pode

que o fogo está a chegar

da sua casa está perto

e não o pode apagar

 

Vai ficar sem teto abrigo

na rua ele irá morar

ficando com a promessa

se ele a boca calar

 

Irá ter casinha nova

confortável p’ra morar

mas vai ter que estar tranquilo

e não estar a chorar

 
E os deuses loucos no céu

com os anjos a tocar

os clarins ao som do fogo

com foguetes a estoirar

 

De ambrósia embriagados

dançam os deuses na Lua

felizes e desvairados

porque ela é apenas sua

 

A Terra eles já queimaram

o oxigénio acabou

a Lua eles já compraram

mas o demónio os levou!

                «»

                     Zélia Chamusca
Poema de - Zélia  Chamusca
Fonte de imagem - Google

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Já não há verão


           

Está toda a natureza destruída

pela mão do mais feroz animal

Não tem qualquer respeito pela vida

causando no planeta  tanto mal

 

Encobriu-se o sol já não há verão

nem lua a brilhar em noites de luar

Já nada mais resta que a destruição

e a lua triste escondida a chorar

 

O sol brilhante da minha infância

que iluminava  a Terra sorridente

não existe porque é tanta a ganância

que destrói o mundo completamente

 

Encobriu-se o sol já não há verão

que me acariciava tão meigamente

nas tardes longas e quentes de então

restando a memória tão simplesmente

 

Agora é tudo tão negro de inverno

e a natureza cansada resiste

até sucumbir nas chamas  do inferno      

em que a mão humana e cruel insiste.

                                                                «» 
 
Poema de - Zélia Chamusca 

sábado, 27 de julho de 2019

A Ti Amigo e Irmão






Encontrei-te

hoje, na rua caído

e vi em ti um amigo.

 

Falei-te,

encorajei-te,

ajudei-te a levantar

e disse-te: vai, vai.

Vai caminhar!

 

Conheci-te

quando passei ali ao lado

e contigo me cruzei.

Saudei-te,

com uma saudação sincera

de irmão.

 

Olhei-te

e, vi que procuravas ajuda

e não a encontravas…

 

Olhas-te para mim

admirado pensando

que eu era uma louca;

Ninguém, para ti olhava

quando tu tanto precisavas…

 

Não, eu não sou louca!

Eu sou aquela

que conseguiu construir,

entre feras demoníacas,

o caminho certo,

de justiça, de razão de verdade

e honestidade,

neste mundo louco em que vivemos

onde há tanta maldade...

 

Encontrei-vos, de tudo carentes

e ajudei-vos…

Pensais que sou louca,

neste país de dementes

em que cada um luta desenfreada

e egoistamente

pelos seus interesses materiais

mesmo que tenha que aniquilar o outro!       

Destrói tudo

seja a que nível for,

reduzindo a cinzas

tudo, na luta cruel pelo dinheiro.

Sim. Destrói o planeta, o mundo inteiro

na luta incendiária

totalmente planetária.

 

Lutam pelo dinheiro

enquanto despojam a alma da moral,

de todos os valores,

fazendo prevalecer o mal!

 

Vivemos num mundo egoísta

onde predomina a luta desenfreada pelo poder,

onde paira o egoísmo e a exploração

do outro, daquele que é seu irmão!

 

E eles não te querem ver

como um irmão. Não…

o mundo é só deles e os outros

querem-nos como seus servos…

 

São autênticos demónios

que te vigiam, permanentemente,

limpando-te o pensamento,

sob o olhar indiscreto e permanente

de um Bigbrother cruel,

ditador e prepotente,

querendo convencer-te

que tudo está certo,

podes ficar ciente,

que eles são uns bonzinhos…

Coitadinhos…

Enquanto te torturam,

e te roubam,

queimam-te o corpo e a alma

e  despojam-te dos teus pertences.

 

Não! Não, irmão!

Somos todos filhos

da mesma mãe – Natureza

e do mesmo pai – Força

que tudo move.

 

O Dia chegará

em que estes demónios

serão queimados

na fogueira dos infernos em chamas

por eles mesmo incendiados…

 

E, a doçura da Mãe – Natureza

e a Força do Pai - que tudo move

devolver-nos-á o Paraíso Inicial,

o paraíso terrestre,

no planeta Terra,

e, aqui, não haverá mais dor,

restará, somente,

a Paz e o Amor!

           «»

                 Zélia Chamusca           
                             
                            



 

domingo, 21 de julho de 2019

Incêndio na Serra de Sintra






A paradisíaca Sintra aqui ao lado
com o palácio de beleza iluminado
agora invisível pelo fumo tapado
sob nuvens negras de escuro carregado 

Meu tão belo país à beira mar plantado
com tanto encanto pelo sol iluminado
jaz no fantasmagórico espectro queimado
pelo maior dos crimes outrora  consumado!…
                                                                                    «»

                                        Zélia Chamusca
                                                                                 7-20-2019

https://www.rtp.pt/noticias/pais/incendio-lavra-na-serra-de-sintra_n1103365

sábado, 20 de julho de 2019

Calam esta grande guerra planetária!



 

Nuvens compactas e negras carregam o ar

Na absoluta mudez do crime silenciado,

Nefastas e escuras que entristecem o olhar

Parado em farrapos negros por todo o lado…

 

Não se fala em alguém que tal crime cometa,

Cobardemente, calam fazendo não ver

O que causa a destruição de todo o planeta

Deixando a desgraça total acontecer.

 

Já há tanta vítima da guerra incendiária…

Não posso entender aqueles que falar temem

E calam esta grande guerra planetária!



O que da floresta resta é, já, cinza morta

Onde  todos os seres vivos então jazem

Restando a dor no ecossistema que a suporta… 

                                 «»

                                              Zélia Chamusca

                                                

segunda-feira, 8 de julho de 2019

Paira no ar um nauseabundo olhar


 
        

                                    Paira no ar

um nauseabundo olhar

com tanto alvoraçar

para na vida dos outros

poder entrar!

 

Paira no ar

a coscuvilhice

da maledicência

por aqui e por ali

para se entreter

tudo quer saber.

 

Paira no ar a insensatez

que cerra o coração

na podridão

a que ninguém deve chegar.

 

Paira no ar

a incoerência

de tão forte maledicência

na ética da boa convivência

que só da maldade pode brotar.

 

Paira no ar

um nauseabundo olhar

sobre a vida dos outros

enquanto cerra

as suas próprias portas

para que ninguém

lá possa entrar!

          «»
Poema de - Zélia Chamusca
Fonte de imagem - Google                 

 

sábado, 1 de junho de 2019

Solitas, solitates


                               

Nesta ausência de ti,

Meu Amor,

Sinto o coração corroído

De sentido…

 

É tortura permanente

Que a alma sente.

É querer contigo estar

E não estar.

É caminhar na solidão

Da escuridão…

 

É a saudade,

Sólitas, solitates,

Solidão

Que entristece o coração…

 

Mas, saudade,

Meu Amor,

É, também recordação,

É bênção que me foi dada,

Por nós traçada.

É felicidade

Reencontrada!

          «»

               Zélia Chamusca