domingo, 23 de julho de 2017

A teia da maldição


 


 
Movimenta-se na teia

uma aranha resistente

à chama que incendeia

prosseguindo sempre em frente.

 

Passa por vales e montes

destruindo a natureza,

bebe água dos rios e fontes

e a aranha tece em beleza,

 

em laboração intensa

levada p’la ambição,

faz uma teia tão densa

tecida p’la maldição.

 

É como prisão que atrai

todo o inseto miserável

que sempre vai cair sobre ela

numa  ação abominável!

 

Já são tantos os insetos

neste labirinto presos,

triangulo em que os catetos

os sustentam bem defesos.

 

Está a teia bem protegida

em que a força da ambição

destrói natureza e vida.

A teia é chamada – maldição!

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Poema de - Zélia Chamusca

terça-feira, 18 de julho de 2017

Não posso entender



 
Não posso entender

Que já há trinta e um anos

C’a floresta a arder,

São tantos os danos…

 

Só conversa fiada

E não há responsáveis…

É calma danada

Nestes miseráveis…

 

Não posso entender

Nem ninguém de bem

É capaz de ver

Porque isto convém!

 

Andam criminosos

À solta e não param.

Serão poderosos

Neles nunca falam.

 

E calam a boca

Muito bem fechada,

Sobre gente louca

E ninguém diz nada!
 


Os que o fogo deitam

E os que o permitem

E, aqueles que os mandam

Tudo isto omitem.

 

Não posso entender

Como em Portugal

Possa acontecer,

Assim, tanto mal…

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Poema de - Zélia Chamusca
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domingo, 16 de julho de 2017

Estão as Mentes Tontas


 


 
Está frio de inverno…

Céu cinzento e triste…

Parece um inferno

O que à volta existe!

 

O sol se escondeu

No tempo da bruma,

A floresta ardeu,

Nem resta a caruma!

 

Estão as mentes tontas

Bem de longe a ver

Que acertam as contas

P’ra crise vencer!

 

Mas, nos bolsos delas;

Enganam os pobres

Numas bagatelas!

Pensamentos nobres…

 

Nobres? Miseráveis!

Acabou a nobreza;

São ações lamentáveis

Que causam tristeza!

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Poema de - Zélia Chamusca
 

domingo, 9 de julho de 2017

Não deixo que me inibam a vontade



 
Não deixo que me quartem o pensamento

e que nunca me impeçam a decisão!

Nem sequer por nenhum forte tormento

no meu caminho perderei a razão!

 

Não deixo que me inibam a vontade

de lutar para vencer, ser e ter.

Nem nunca perderei a liberdade

de a verdade sempre poder dizer!

 

Não morrerei na apática letargia!

Vim para cumprir minha finalidade,

e, quando eu tiver que partir um dia;

seguirei, então, em paz, para a Eternidade!

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Poema de -Zélia Chamusca
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quarta-feira, 5 de julho de 2017

Os dois paióis assaltados


 
                                       

Portugal é país de paz,

de calma e tranquilidade,

onde adormecem  vigias

a sonhar de f’licidade…

 

São assaltados os paióis

durante a hora de descanso;

enquanto uns estão a dormir

estão outros no surripianço...

 

A tranquilidade é tanta

que nem é preciso olhar

pelas armas em repouso;

Podem os paióis assaltar!

 

De armas nós não precisamos,

ninguém de guerra é capaz.

Continua a floresta a arder

e os criminosos em paz!

 

Alguém visitou os dois paióis

e o material assustado

foi pescado com anzóis,

eu sei lá para que lado…

 

Lá se foram tantas armas

de dois dos paióis de  armamento,

sumiram, sei lá para onde,

foram com consentimento…

 

Dizem que voaram de avião,

sei lá bem p’ra que paragem…

Foi-lhe dada a permissão

ou talvez seja chantagem…

 

Já despojados os paióis

de armamento militar

e já depostas as armas,

vamos todos descansar!

 

Está tudo bem vigiado

na paradisíaca paz,

no nosso país arrasado,

em que tudo em cinzas jaz!

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Poema de - Zélia Chamusca
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domingo, 2 de julho de 2017

Misterioso silêncio




















Paira um misterioso silêncio no ar

envolto numa cruel cumplicidade,

um hipócrita e nauseabundo olhar

na cobardia  da intranquilidade.

 

Andam almas inquietas temerosas,

perdidas no espectro antro da maldade,

consciências esfumadas, nebulosas,

consumidas p’la nefasta crueldade.

 

Pesadas  são as consciências com maldade

p’la tragédia do fogo carregadas

e p'lo negro fumo da insanidade!

 

Pelo ódio, finalmente, irão estoirar

porque as populações, já  tão cansadas,

para os infernos as irão mandar!

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Poema de  Zélia Chamusca
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quarta-feira, 28 de junho de 2017

Procura-se vivo ou morto

                                                   (Procura-se morto ou vivo)
 
 
 
 
 Procura-se vivo ou morto

o pirómano incendiário!

Será que anda o mundo absorto

cansado deste fadário?

 
Os incêndios se repetem

sempre que chega o verão!

Não sabem como acontecem,

ninguém se preocupa, não…

 
Organizam-se assembleias,

discute-se a prevenção;

surgem então as ideias

sem saberem a razão!

 
Na origem não se fala;

nem é preciso falar!

É assunto que se cala;

é preciso é reordenar,

 
sim, reordenar a floresta

e fazer a prevenção,

mas nem a palavra resta

no incumprimento da ação.

 
Nem sequer com a dimensão

desta tragédia recente,

se importam com a razão

que matou já tanta gente!

 
Quem comete hedionda ação

não é gente de certeza.

Nunca pode ter perdão

quem destrói a natureza!

 
Quem deita fogo à floresta?

Procura-se, vivo ou morto.

Este espécime não presta!

Anda o mundo, assim, tão torto!
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Poema de - Zélia Chamusca
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